MIYAGUI MOSTRA A QUE VEIO

Autor: PORTAL DBO

Publicado em: 10 DE MARÇO DE 2020

O Primeiro Panicum desenvolvido pela Anprosem, a cultivar pode fornecer até 30 t de forragem/ha/ano e garantir ganho de 680 g/cab/dia nas águas. Ele chegou ao mercado brasileiro sem muito alarde e já ocupa uma área de 1.070 ha, conforme levantamento da Unipasto, Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras. Trata-se do capim Miyagui, uma variedade de Colonião(Panicum maximum Jacq.)desenvolvida pela Anprosem, Associação Nacional dos Produtores de Sementes, Gramíneas e Leguminosas Forrageiras. Ele é capaz de produzir de 25 a 30 t/ha/ano de forragem e tem rebrota rápida(em até 28 dias no período chuvoso). “Esta é a primeira cultivar a ser registrada e protegida pela Anprosem. Temos outros materiais em desenvolvimento”, informa a engenheira agrônoma, melhorista e secretária executiva da associação, Sandra Regina Dias Ferreira. A proteção definitiva da forrageira junto ao Serviço Nacional de Proteção de Cultivares(SNPC)foi obtida em julho de 2017 e sua disseminação entre os associados ganhou fôlego em 2019. O capim teve origem em coleta feita em 2009, na Fazenda Fortaleza, em Valparaíso, SP. O melhoramento foi feito entre 2010 e 2014, por meio de replicação, recombinação e seleção de indivíduos. Desse trabalho, surgiram plantas uniformes e homogêneas, com potencial para alta produção de forragem. Segundo Sandra, o nome Miyagui, de origem japonesa, indica persistência. Trata-se de uma planta de crescimento ereto, ciclo perene, porte médio a alto(até 2,5 m de altura)e folhas de coloração verde escura que podem atingir 1,2 m de comprimento e até 5 cm de largura. A Anprosem recomenda o Miyagui tanto para bovinos de corte quanto de leite, nas fases de cria, recria e engorda. Por ser um Panicum e dada a sua exigência em fertilidade, ele é indicado para plantio em solos corrigidos e adubados. A altura recomendada de entrada para pastejo varia de 90 cm a 1 m. A retirada de animais do pasto deve ocorrer quando as plantas forem rebaixadas até uma altura entre 20 e 30 cm em relação ao solo. As adubações de manutenção e de produção devem ser feitas durante o período das chuvas, mediante utilização de pelo menos 50 kg/ha/ano de nitrogênio. Para o ajuste dos demais nutrientes, a orientação é guiar-se pelas análise de solo. Nos ensaios de campo, o Miyagui foi comparado ao Mombaça. A nova cultivar superou a veterena, por exemplo, na avaliação de ganho médio diário(GMD), tanto nas águas quanto na seca, garantindo engorda de 680 e 200 g/ cab/dia, respectivamente, ante 523 e 141 g do Mombaça. As avaliações de produtividade e qualidade nutricional foram feiras durante oito meses do período chuvoso e quatro de seca. Em produção forrageira, o Miyagui foi sempre superior. Forneceu 21.236 e 9.390 kg de matéria seca/ha, respectivamente, ante 19.445 e 8.140 kg/MS/ha do Mombaça. No percentual de proteína bruta também mostrou ligeira vantagem: 13,67% nas águas e 8,43% na seca, ante 12,6% e 7,36%, respectivamente, do testemunha. Alerta contra a pirataria

A Anprosem informa que o Miyagui pode ser encontrado nas revendas abastecidas pelos associados(65 nos Estados de SP, GO, MG, BA, MS e MT). Sandra Ferreira faz, contudo, um alerta sobre capins com denominações semelhantes que estariam circulando e, segundo ela, podem confundir o pecuarista: “Comentam por ai sobre Miage, Mirage, Super Mombaça, mas nenhum deles é o Miyagui. São sementes pirateadas. Quando essas informações chegam até nós, com imagens e notas fiscais, fazemos as devidas denúncias na Ouvidoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”.