FORMAÇÃO DE PASTO: JÁ DECIDI QUAL CAPIM VOU PLANTAR, E AGORA?

Autor: GIRO DO BOI

Publicado em: 27 DE DEZEMBRO DE 2019

Você já decidiu qual(is)espécie(s)de forrageiras vai usar em sua fazenda na formação do pasto? Então fique atento aos passos seguintes do manejo de formação de pastagem. Em episódio do quadro Pastagem de A a Z, Wagner Pires, engenheiro agrônomo, pós-graduado em pastagens pela Esalq-USP e consultor do Circuito da Pecuária, fez um convite para o pecuarista. “Vamos plantar?”

Na hora de definir qual o fornecedor da variedade escolhida, o produtor precisa prestar atenção para o valor cultural da semente, ou seja, se o valor indicado realmente se confirma no plantio de teste. Se o VC indicado é de 80%, num canteiro controlado em que o pecuarista faça um teste plantando 100 sementes, ao menos 80 devem germinar e se o número não bater, o vendedor deve ser cobrado.

No manejo de plantio nos piquetes, o uso da sementadeira adequada tem sua importância também. Pires indicou que o pecuarista use o implemento a lanço, pois o movimento é similar ao da própria natureza. Nesta etapa é importante instruir o tratorista quanto à regulagem dos equipamentos para evitar espaços vazios entre as touceiras.

Uma das causas destas falhas pode ser entupimento na caixa da sementadeira. A compactação de torrões com sementes e fertilizantes, quando as atividades são feitas no mesmo processo, também pode ocorrer e prejudicar a uniformidade.

Pires detalhou que em solos arenosos é ideal que a semente estejam até 5 cm enterradas, enquanto nos solos convencionais, as sementes maiores, caso das de brachiaria, podem estar enterradas em 2 cm, enquanto as menores, como de panicuns, fiquem 1 cm debaixo de terra.

O consultor disse ainda que pecuarista não deve plantar “no pó”. É ideal que tenha caído sobre o solo 20 a 30 mm de precipitações para que o manejo de plantio tenha início. Caso o produtor note falhas entre as touceiras, é possível fazer uma ressemeadura, mas o agrônomo ponderou que é considerado normal que as plantas germinem ao logo de até 20 dias.

O primeiro pastejo é fundamental para determinar a produtividade e longevidade do piquete recém-formado. O gado não deve pastar antes da hora com o risco de arrancar a planta do chão. O teste pode ser feito pelo próprio pecuarista, agarrando as folhas e puxando. Se sair com a raiz, ainda não é hora de colocar o gado. Mas se a raiz estiver firme e somente as folhas forem arrancadas, já é hora de colocar os primeiros animais na área. O cuidado aqui é para usar animais menores, como novilhas e bezerros recém-desmamados. Com este primeiro pastejo, os animais contribuem para o crescimento de perfilhos e o desenvolvimento do capim.